Fotografia como instrumento e lente positiva da memória periférica
- Aline Ramos

- 5 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Em meio às ruas, becos e celebrações que moldam a vida nas periferias urbanas, a exposição “Retratistas do Morro” surge como um testemunho poderoso sobre a força do olhar comunitário, onde pessoas pretas são protagonistas e celebram suas conquistas. Essa exposição foi realizada na época de 1970, porém celebra atualmente o direito de existir, de maneira positiva.

AFETO E RESISTÊNCIA: A FORÇA DE VER E SER VISTO DENTRO DA PRÓPRIA COMUNIDADE
A exposição destaca como o ato de fotografar dentro da própria comunidade é uma forma de resistência e o direito de existir, quebrando os estereótipos negativos. Pelo o olhar interno, os moradores são representados e vistos por pessoas em outra ótica, onde estão comemorando aniversários, casamentos ou apenas retratados em um dia comum, onde moram. Detalhes que são pequenos e simples, mas são esquecidos nos dias de hoje. As fotografias são retratadas pela ótica do afeto, da resiliência e do existir enquanto ser periférico em 1970.
IMAGENS QUE DEVOLVEM DIGNIDADE: FAVELA VISTA POR QUEM VIVE NELA
João Mendes e Afonso Pimenta são dois fotógrafos fundamentais para a construção da memória visual do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. Atuando a partir das décadas de 1960 e 1970, eles retratam o cotidiano, celebrações e os retratos das famílias da comunidade. Mesmo sem a formação acadêmica construíram sua trajetória a partir da prática e da convivência direta com os moradores. Desde momentos marcantes na vida dos moradores, como momentos diários.
Os dois formam um trabalho em conjunto onde João Mendes é conhecido em registar sua arte pela sua presença constante nas festas e eventos comunitários. Afonso Pimenta, se destaca por documentar os bailes blacks que eram realizados naquela época e a estética da cultura negra, fortalecendo novamente a periferia.

A arte não apenas retrata rostos e sim, exalta os vínculos, histórias e exala o pertencimento em cada fotografia. Quando a favela é retratada por uma pessoa de dentro da comunidade a narrativa é diferente, onde existem momentos bons e são compartilhados pelos moradores. Porém atualmente esse retrato é feito apenas pelo lado negativo, onde a mídia retrata apenas a violência. A exposição reforça a união dessa comunidade e as memórias apenas pelo lado positivo da periferia.
A Cultura Carioca teve o prazer de visitar pessoalmente essa exposição no Museu de Arte do Rio (MAR), onde logo de início somos apresentados aos laços comunitários e afetivos que marcam essa comunidade em Minas Gerais. A estética negra é celebrada com orgulho, e, mesmo sendo composta por fotografias das décadas de 1970, dialoga diretamente com a essência cultural do Rio de Janeiro, onde é uma cidade retratada fortemente reduzida a narrativas de violência. A exposição nos lembra que, quando se observa a comunidade a partir de olhares externos, perde-se a profundidade de suas histórias; há muito mais ali do que o retrato superficial muitas vezes reforçado pelas mídias tradicionais.




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